O que é a pejotização de acordo com a CLT

O que é pejotização? Entenda quando a prática pode ser irregular

Sumário

A dúvida sobre o que é pejotização tem se tornado cada vez mais comum no mercado de trabalho. Isso porque, em muitos casos, profissionais são contratados como pessoa jurídica (PJ) para prestar serviços de forma contínua, mesmo exercendo suas atividades em condições muito semelhantes às de um colaborador com carteira assinada.

Embora a contratação de pessoas jurídicas seja permitida em diversas situações, ela pode ser considerada irregular nos casos em que é utilizada para disfarçar uma verdadeira relação de emprego e afastar direitos trabalhistas previstos na legislação. 

Em situações assim, o trabalhador pode estar abrindo mão de garantias importantes, como férias, 13º salário, FGTS e verbas rescisórias.

Entenda conosco, nesse artigo, o que é a pejotização e como identificar essa prática na rotina profissional. Aproveite também para conferir quais direitos podem estar sendo violados e quando é recomendável buscar orientação jurídica para avaliar o seu caso.

O que é pejotização?

A pejotização ocorre quando uma empresa exige ou incentiva que o trabalhador abra uma pessoa jurídica (PJ) para prestar serviços, mesmo quando a relação apresenta as características típicas de um vínculo empregatício.

Na prática, o profissional emite notas fiscais e atua formalmente como prestador de serviços: mas continua sujeito a regras semelhantes às de um empregado, como cumprimento de jornada, subordinação direta, exclusividade e remuneração mensal fixa.

Quando isso acontece, a contratação pode ser considerada irregular, pois a forma jurídica adotada não corresponde à realidade da relação de trabalho.

O que a CLT diz sobre a pejotização?

O que significa pejotização e como saber se você se enquadra

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece, em seu artigo 3º, que é considerado empregado quem presta serviços de forma:

  • pessoal;
  • remunerada;
  • não eventual;
  • subordinada ao empregador.

Se esses requisitos estiverem presentes, a relação pode ser reconhecida como vínculo de emprego, independentemente do nome dado ao contrato ou da existência de uma pessoa jurídica.

Além disso, o artigo 9º da CLT determina que são nulos os atos praticados com o objetivo de fraudar a aplicação da legislação trabalhista. 

O que isso quer dizer? Que a contratação como PJ não afasta automaticamente os direitos do trabalhador quando, na prática, a relação possui natureza empregatícia.

Como identificar um caso de pejotização?

Nem toda contratação como PJ é irregular. O problema surge quando o trabalhador atua com pouca autonomia e passa a seguir as mesmas regras impostas aos empregados da empresa.

São alguns sinais comuns de pejotização:

  • controle de jornada;
  • horário fixo de trabalho;
  • remuneração mensal fixa;
  • inserção na rotina e estrutura da empresa;
  • exigência de abrir CNPJ para ser contratado;
  • cumprimento de ordens diretas de superiores;
  • exclusividade ou forte dependência econômica;
  • impossibilidade de substituir-se por outra pessoa.

Quando vários desses elementos estão presentes, há indícios de que a contratação pode ter sido utilizada apenas para mascarar um vínculo de emprego.

Quais direitos trabalhistas podem estar sendo descumpridos?

Quando a pejotização é aplicada de forma fraudulenta no que determina a lei, o trabalhador pode deixar de receber uma série de direitos garantidos pela legislação trabalhista. 

Embora a contratação como pessoa jurídica possa aparentar maior flexibilidade, ela não pode servir para afastar proteções legais quando, na prática, estão presentes os requisitos do vínculo empregatício.

Nessas situações, os principais direitos que podem estar sendo suprimidos incluem:

  • 13º salário;
  • verbas rescisórias;
  • depósitos mensais do FGTS;
  • multa de 40% sobre o saldo do FGTS;
  • aviso-prévio em caso de desligamento;
  • registro em carteira de trabalho (CTPS);
  • férias remuneradas com adicional de 1/3;
  • pagamento de horas extras e adicionais legais;
  • acesso ao seguro-desemprego, quando preenchidos os requisitos legais.

Além do impacto financeiro imediato, a ausência desses direitos também pode comprometer a segurança do trabalhador no longo prazo, inclusive em relação à aposentadoria e à proteção em momentos de desemprego.

Se a Justiça reconhecer que a contratação como PJ escondia, na realidade, uma relação de emprego, a empresa poderá ser condenada a registrar o vínculo e a pagar todas as verbas trabalhistas correspondentes ao período trabalhado.

Quais profissionais são mais afetados pela pejotização?

A pejotização pode ocorrer em diversos setores, com destaque para profissionais da tecnologia, de vendas, da engenharia e de serviços de consultoria. Na verdade, em todas as áreas onde a prática de prestação de serviços sem vínculo empregatício é mais recorrente.

A área de comunicação também é outra que está sempre no centro das discussões sobre pejotização, como destaca a CUT. Uma pesquisa feita com profissionais da saúde alerta para o aumento dos contratos PJ no setor: 74% dos entrevistados médicos declararam atuar com vínculo de pessoa jurídica. 

É comum que profissionais altamente qualificados aceitem esse modelo de contratação em busca de remuneração mais elevada, sem perceber que, em determinadas situações, podem estar abrindo mão de direitos relevantes.

O que o trabalhador pode fazer em caso de pejotização?

Saiba quando pedir ajuda de um advogado especializado em combater a pejotização

Se houver indícios de pejotização irregular, o trabalhador pode reunir documentos e provas que demonstrem como a relação ocorria na prática, como contratos, e-mails, mensagens, comprovantes de pagamento e registros de jornada.

Com base nessas informações, é possível buscar o reconhecimento do vínculo de emprego e o pagamento dos direitos trabalhistas correspondentes ao período trabalhado.

Quando vale a pena procurar um advogado?

A análise da pejotização exige avaliação cuidadosa do contrato e das condições reais de trabalho. 

Isso porque nem toda contratação como PJ é irregular. Mas quando existem elementos típicos de emprego, a orientação jurídica é fundamental para verificar a existência de direitos não observados.

Um advogado trabalhista pode analisar a situação, indicar as provas mais relevantes e orientar sobre as medidas cabíveis para buscar o reconhecimento do vínculo e a reparação dos valores devidos.

Conte com o time de especialistas David Eduardo Cunha advogados!

Entender o que é pejotização é essencial para identificar quando uma contratação aparentemente regular pode, na verdade, esconder uma relação de emprego. 

Quando a empresa exige a atuação sob CNPJ, mas mantém subordinação, pessoalidade e rotina típica de empregado, há possibilidade de reconhecimento do vínculo trabalhista.

Se você atua como PJ e desconfia que seus direitos podem estar sendo desrespeitados, nos procure. Uma análise jurídica especializada pode esclarecer sua situação e indicar o melhor caminho para proteger seus interesses.

Nossos advogados trabalhistas estão prontos para ajudar você! Agende uma conversa para que possamos entender o seu caso e buscar pela melhor solução.

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